Crónica de Rui Reste, Presidente da ACIB

Rui Reste

O país das pequenas empresas

Há uma coisa que quem decide a partir de Lisboa muitas vezes não entende: o país real não é feito de grandes empresas. O país real é feito de pequenas empresas.

É feito de cafés, restaurantes, minimercados, oficinas, pequenas indústrias, empresas de construção, comércio local, serviços. Empresas que têm 2, 5, 10 ou 15 trabalhadores e onde o dono é, ao mesmo tempo, gerente, diretor financeiro, responsável de recursos humanos e, muitas vezes, também trabalhador.

É neste país real que vive a maior parte das pessoas. E é neste país que se cria a maior parte dos empregos.

Aqui na Bairrada, em concelhos como Oliveira do Bairro e Anadia, esta realidade é muito clara. O nosso tecido empresarial é feito quase totalmente de micro e pequenas empresas. Empresas familiares, muitas delas construídas ao longo de décadas, que resistiram a crises, a mudanças de moeda, a pandemias e a aumentos constantes de custos. Empresas que todos os dias fazem contas para pagar salários, fornecedores, energia, impostos e ainda tentar investir qualquer coisa para melhorar o negócio.

E, no meio disto tudo, há uma coisa que muitas vezes se esquece: o empresário das pequenas empresas não tem estrutura. Não tem departamento jurídico, não tem departamento de recursos humanos, não tem departamento financeiro. Tem de decidir tudo, resolver tudo e assumir o risco todo.

É precisamente aqui que as associações empresariais têm de fazer a diferença.

Num território de pequenas empresas, a associação empresarial não é apenas uma estrutura. É uma ferramenta de trabalho. Deve servir para informar, formar, apoiar, representar e, sobretudo, para unir empresas que, sozinhas, têm pouca escala, mas juntas têm uma força muito grande.

O futuro das nossas empresas vai depender muito da forma como conseguimos enfrentar alguns desafios muito concretos: a falta de mão-de-obra, a necessidade de integrar trabalhadores vindos de outros países, a qualificação das pessoas, a organização das empresas, a digitalização e a redução da burocracia que continua a tirar demasiado tempo a quem quer trabalhar e investir.

Nada disto se resolve sozinho. Resolve-se com empresas mais preparadas, mais organizadas e mais acompanhadas. E é aí que as associações empresariais podem e devem ter um papel cada vez mais ativo.

Porque quando uma pequena empresa cresce, não cresce só a empresa. Cresce o emprego, cresce a economia local, cresce a terra onde estamos.

E quem anda no terreno todos os dias sabe bem que, nas nossas terras, defender as empresas é, no fundo, defender a comunidade.

Essa é, e continuará a ser, a razão de existir da ACIB.